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Carne Fraca | Brasil Por Luciana Pich

Categoria: Cusiosidades

 

Carne ou caráter?

A Operação Carne Fraca levantou problemas de corrupção envolvendo servidores, empresas e partidos políticos na fiscalização de alimentos. Mas as notícias não abordaram o problema mais crítico no Ministério da Agricultura: a defasagem no número de Auditores Fiscais Federais Agropecuários no quadro.

O Serviço de Inspeção Federal tem mais de 100 anos e possui uma reputação de excelência e eficiência que tem sofrido há anos pela defasagem do quadro de fiscais, uma vez que as vagas descobertas pelas aposentadorias de servidores antigos não têm sido preenchidas com contratação de servidores a partir de novos concursos públicos.

Com isso, a frequência de fiscalizações diminui e, com isso, a capacidade de controle da produção por parte do MAPA.

Os estabelecimentos são os responsáveis pela qualidade do produto ofertado ao consumidor e, por meio de adoção de sistemas de gerenciamento da qualidade, existem servidores capacitados e exclusivos para exercer esta atividade.

O problema jaz no conflito existente nos estabelecimentos entre as áreas de produção e de vendas (interessadas no lucro e na produtividade) com as áreas de qualidade e regulatória (interessadas na inocuidade, segurança, qualidade do alimento e no respeito às normas e ao padrão do produto) de cada estabelecimento. É neste momento que vencerá o lado que a alta gestão, diretoria ou o dono do estabelecimento resolver apoiar. É neste momento, pelo menos no meu ponto de vista ao escutar os áudios vazados na Operação Carne Fraca, que fica claro o quanto interfere o caráter e idoneidade dessas pessoas… Além daquelas que utilizam de sua influência para apoiá-las.

Existe um movimento da alta gestão do MAPA e do setor produtivo contra o qual temos trabalhado há anos que deseja instituir a “terceirização” da inspeção com presença de médicos veterinários conveniados nos estabelecimentos. Na prática não é muito diferente do que acontece com os funcionários da qualidade do estabelecimento. Funciona?

Vejo hoje no Ministério da Agricultura um movimento muito parecido com o que acontece na iniciativa privada. De um lado temos a Defesa Agropecuária (com suas fiscalizações e inspeções) lutando para manter a qualidade do alimento ofertado sofrendo constantes cortes orçamentários e um quadro de pessoal cada vez mais enxuto (isso só em resumo, diga-se de passagem) impostos pela alta gestão e tendo seus resultados cobrados pelo setor e pela sociedade com abertura de mercados internacionais que aceitam nossos produtos exatamente confiando no trabalho realizado por nós.

Há dez anos tenho visto isso acontecer. Esta infelizmente era uma tragédia anunciada. Agora cabe ao nosso “cliente”, à população brasileira que consome aproximadamente 80% da produção nacional agropecuária exigir seus direitos, que lhe seja ofertado um produto seguro e de qualidade. Mas gostaria que a população tivesse em mente que os 2.700 Auditores Fiscais Federais Agropecuários não são os vilões da história (não falo pelos investigados, desejamos todos que os culpados sejam devidamente punidos) e sim seus defensores nessa antiga luta.

Luciana Pich Gomes

Farmacêutica, Especialista em toxicologista

Auditora Fiscal Federal Agropecuário

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